A chegada de um irmãozinho…

A chegada de um irmãozinho...Vida difícil esta de filho mais velho, não? Protagonista das novidades da família, já nasce ocupando o centro das atenções. Por isso, na hora em que vivencia a chegada de um irmãozinho pode acabar enfrentando certas dificuldades de relacionamento seja com o bebê ou até mesmo com os pais. Muitas vezes, para chamar a atenção da família agora compartilhada com o irmão, começa a fazer birras, apresentar comportamentos de recusa ou mesmo uma aproximação excessiva dos pais.

Preparar os filhos mais velhos para a chegada de um irmãozinho é muito importante, mas nem sempre muito fácil. Muitos pais se projetam em um de seus filhos e acabam por se dedicar ou proteger um deles em detrimento do outro. Segundo a psicóloga Rafaela Paixão, da Clínica CPPL, é necessário ter bastante tranquilidade nesta fase. Confira na entrevista a seguir.

- A chegada de um irmãozinho na família deve ser comunicada em que momento para a criança? No momento em que a mãe descobre a gravidez ou apenas quando sua barriga já se torna mais visível?

Rafaela Paixão – Não há um momento considerado ideal. Mas, pode-se dizer que esta comunicação deve acontecer a partir do momento que a família, tendo internalizado a chegada deste novo filho, possa com tranquilidade conversar com a criança.

- Como deve ser o preparo psicológico que os pais devem oferecer à criança durante estes nove meses de espera do irmãozinho?

Rafaela Paixão – É fato que todas as mudanças deste período passam a ser visíveis: desde as mudanças que se operam no corpo da mãe até aquelas que ocorrem no dia-a-dia da casa (como a compra de um berço, brinquedos novos, enxoval…) e os pais não podem esperar que a criança não reaja de alguma forma a estas modificações. O mais importante nesta preparação consiste, portanto, na compreensão de que é comum que diferentes sentimentos e reações sejam mobilizados na criança durante a gravidez e isto não representa necessariamente que algum problema esteja se configurando.

Neste sentido, se este novo irmãozinho pode ser falado e imaginado pela criança os pais podem ser ajudados na minimização de reações extremadas. Isto acontece porque à medida que as fantasias e desejos da criança podem ser escutadas pela família, os afetos podem encontrar um lugar dentro desta dinâmica fraterna.

- Muitas crianças acabam “descontando”sua insatisfação em relação ao bebê que chega no próprio irmãozinho, batendo nele, por exemplo. Neste caso, o que os pais devem fazer? Colocar de castigo? Apenas conversar?

Rafaela Paixão – Os pais devem ser capazes de sustentar os acordos que regem a vida e a educação da criança, independentemente da chegada do bebê. A diferença é que, se podem agregar a esta postura uma dose de disponibilidade para suportar as rivalidades que a chegada deste novo filho coloca em cena, as suas atitudes diante dos comportamentos da criança passam a ser ‘significadas’, a ter um sentido.

A sensibilidade dos pais será fundamental em perceber em momento uma boa conversa pode ser mais produtiva do que um simples castigo. Mas, se ao contrário, um castigo for necessário, deve ser feito também; com a diferença de que este pode ser seguido de uma conversa, uma atitude ponderada da família.

- Incentivar o mais velho a ajudar cuidar do mais novo, dando-lhe tarefas que elevem sua autoestima, pode ser uma boa ideia?

Rafaela Paixão – Sim. Não apenas porque podem ser facilitadoras de uma ‘elevação da autoestima’, mas, sobretudo, porque podem possibilitar que uma presença efetiva e o cuidado e assistência às necessidades resultem no início de uma relação de compartilha e amizade.

- Até quanto tempo depois do nascimento do irmãozinho o ciúme do mais velho deve ser tolerável? Este problema tende a passar depois de quanto tempo?

Rafaela Paixão – Não seria possível precisar uma idade limite. O que acontece, entretanto, nestes primeiros anos é que o tempo poderá ajudar a pulverizar estes afetos, desinflacioná-los. A entrada na escola, o desenvolvimento em geral, por exemplo, podem ser saídas simples para que a criança passe a dar menos importância a este assunto, diminuindo os conflitos e possibilitando a construção de uma relação criativa com o seu irmão. Mas, é preciso que se diga: nas relações fraternas a rivalidade sempre estará posta; ciúmes e as disputas entre os filhos continuarão existindo. E por isso mesmo é fundamental que as famílias tentem encontrar a justa medida para que seus filhos possam ao mesmo tempo usufruir da convivência um do outro, da mesma forma que possam ser capazes de tolerar as diferenças e singularidades do seu irmão.

 

2 respostas a A chegada de um irmãozinho…

  1. ariane Neri disse:

    É tolerável a criança depois de dois meses do mais novo nascido ainda se sentor necessidade de chamar atenção, responder agir de maneira grosseira? Uma vez que não era assim

  2. ariane Neri disse:

    Como devo agir nesta situação sendo que o castigo não resolve, privar de coisas que adora fazer ja esta sendo feito sem sucesso

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