A culpa é da mãe – reflexões e confissões acerca da maternidade

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300″ />Existe receita para que uma mulher seja de fato uma boa mãe? E, por falar nisso, como se define “uma boa mãe”? Para milhões de mulheres que se culpam por não acertarem 100% na educação dos filhos estas são as perguntas que não querem calar! Bom, como o Dia das Mães se aproxima vamos tratar deste tema com a psicoterapeuta Elizabeth Monteiro, autora do emocionante livro A culpa é da mãe – reflexões e confissões acerca da maternidade, da Summus Editorial.

No livro, Elizabeth relata suas experiências – algumas desastradas – como mãe de quatro filhos. Partindo da época de sua avó e passando pela própria infância, ela mostra que as mães, independentemente da geração, erram. Mas não devem se sentir culpadas por isso. Simples assim! Ela é bastante clara: a maternidade pode ser menos árdua e mais prazeroza.

Confira a seguir a entrevista que fizemos com a autora e, ao final, conte também para nós as suas experiências como mãe!

- Existe alguma receita milagrosa para ser uma boa mãe? Por falar nisso, o que é “ser uma boa mãe”?

Elizabeth – Uma boa mãe é aquela pessoa que age de acordo com aquilo que é e que pensa, transmitindo ao filhos segurança, aceitação e amor. Uma boa mãe educa mais sendo um bom modelo, do que seguindo normas e regras nas quais ela não acredita. É não mentindo que se ensina a não mentir, é não enganando que se ensina a não enganar, é aceitando o filho com todas as dificuldades dele, que se ensina a amar e respeitar o outro. Não existem fórmulas milagrosas. Para ser uma boa mãe é preciso agir com bom senso. É preciso se conhecer muito, para conhecer o filho que está à sua frente.

- Conte um pouco sobre a sua experiência como mãe. Quantos filhos tem? Quais foram seus maiores acertos e erros como mãe?

Elizabeth – Antes de ser mãe, eu já desejava os meus filhos e antes de conhecê-los eu já os amava. Ser mãe sempre foi uma decisão na minha vida e não o cumprimento de uma “obrigação” cultural ou social. Quis ter filhos, e muitos… Tenho quatro filhos, o projeto era de cinco, mas como todos nasceram de cesarianas, não pude arriscar mais uma gravidez (infelizmente). A minha primeira filha nasceu quando eu tina 24 anos: a Gabriela, que hoje tem 39 anos e me deu um neto lindo, chamado Gael (2 anos). O Samuel nasceu quando eu tinha 26 anos, hoje ele tem 37 anos e ainda planeja ter filhos (para este ano, vem a encomenda). A Tarsila nasceu quando eu tinha 28 anos. Ela me fez avó pela primeira vez, me presenteando com a maravilhosa Giulia (9 anos) e o querido Enzo (5 anos). Hoje, a Tarsila está com 36 anos. O Francisco nasceu quando eu estava com 32 anos. Hoje ele tem 31 anos e me deu uma netinha muito fofinha, que é a Beatriz (1 ano e meio).

Difícil responder sobre quais deles foram os meus acertos e erros. Creio que errei e acertei com todos inúmeras vezes, até os dias de hoje. Sou uma mãe diferente para cada um, até porque eles não são iguais. Não sendo iguais, não dá para ser a mesma mãe com todos. Até em escolas diferentes eles estudaram, porque penso que existe uma escola diferente para cada tipo de criança. A escola que servia para um filho não servia para o outro. E assim com as minhas atitudes: o meu modo de agir com um não servia para o outro. Criar filhos exige o autoconhecimento para poder conhecer o outro, flexibilidade, criatividade e muitas doses de bom humor.

- Mães muito novas culpam-se por terem tido filhos cedo demais. Mães mais velhas culpam-se por não terem tido filhos antes. Enfim, qual o momento ideal da vida de uma mulher para ser mãe?

Elizabeth – Não existe a idade certa para ser mãe. Existe até a possibilidade em não desejar ter filhos. Criar filhos é sempre difícil, principalmente se a pessoa tem tendências perfeccionistas, não tolera os seus erros e não consegue lidar com críticas. Quando se tem um parceiro na criação dos filhos, ou alguém para dividir as tarefas, sempre fica mais fácil. É claro que mães jovens têm mais disposição física (isto conta muito), mas as mães mais velhas têm mais maturidade. Isto às vezes atrapalha, e às vezes ajuda. Atrapalha quando esta maturidade as impede de buscar a criança que deve existir dentro dela, e ajuda quando toma decisões com mais segurança. Na verdade, ser mãe jovem ou mais velha não tem tanta importância. O que importa é o lugar que esta mãe dá ao filho em sua vida.

- De geração em geração, o que há de diferenças e semelhanças entre as mães? As de antigamente (nossas avós, bisavós) conseguiam driblar melhor as dificuldades impostas pela maternidade? Ou será que as de hoje em dia são mais práticas?

Elizabeth – As nossas avós e bisavós driblavam melhor a maternidade, pois cabia à mulher cuidar da casa e dos filhos e ao homem trazer o dinheiro para dentro de casa. Os papéis parentais eram bem definidos e o pai era a autoridade máxima. Além disso, as mulheres se ajudavam mutuamente: vizinhas, tias, avós ajudavam a cuidar da prole. Mais ainda: a criança tinha o espaço das ruas para brincar e convivia com muitas crianças. Inventavam os seus brinquedos e brincadeiras e os adultos não precisavam se meter nas brincadeiras das crianças. Elas se bastavam. Era muito mais fácil criar filhos. Hoje em dia, está mais difícil e muito caro, criar filhos.

- Quais são as principais dúvidas das mães atualmente? E os principais motivos que as fazem sentir-se culpadas? Como resolver estes conflitos?

Elizabeth – As principais dúvidas das mães de hoje diz respeito às mudanças nas estruturas familiares, às mudanças de valores que a sociedade sofre e à falta de uma identidade com relação às novas funções e papéis que devem assumir. As mães buscam o que é certo e o que errado. Temem ser acusadas pelo fracasso dos filhos, quando elas mesmas se acusam. Como a maioria das mães fica muito tempo ausente, pois trabalham fora, elas têm medo de frustrar os filhos e ficam perdidas. Bastaria pensar no que ela acha certo para a sua família, para se guiar e tomar decisões. Ex: Se uma mãe se sente incomodada porque a filha de 12 anos quer dormir com o namorado em sua própria casa, basta dizer isto à filha e acabou… Mas ela fica pensando sempre no que é certo ou errado, buscando modelos nas outras. As mães têm de agir de forma coerente com o que pensam, sentem ou acreditam. Sem culpa.

- Qual deve ser o maior ensinamento de uma mãe aos filhos? E de que forma ela deve ensinar?

Elizabeth – Penso que os melhores ensinamentos dizem respeito à questão da cidadania: respeitar os outros, amar as pessoas, cuidar do planeta, enfim ensinar que as pessoas não dependem da tecnologia para viver, mas sim de todas as pessoas que tentam compreendê-la e que a ajudem a enfrentar os seus conflitos. Enfim, o homem depende essencialmente da capacidade de criar relações pessoais de ajuda. A melhor forma de ensinar isso aos filhos é sendo um bom modelo, pois as crianças aprendem por imitação.

- Por que a senhora resolveu escrever um livro com este tema? Conte-nos um pouquinho do que vamos encontrar em suas páginas.

Elizabeth – Resolvi escrever sobre o tema numa tentativa de aliviar a culpa que as mães carregam pelas suas falhas e falhas familiares. Elas precisam entender que filho é produto de pai, mãe, ambiente e de uma grande parte hereditária (DNA). Precisam entender que ser mãe não é “sofrer no Paraíso”. Ser mãe é viver também num inferno. Elas não precisam ser perfeitas. Cada filho precisa conhecer a mãe que tem: com as suas qualidades e defeitos.

- Com a proximidade do Dia das Mães, qual a mensagem que a senhora gostaria de passar a todas elas?

Elizabeth – Conselho às mães? Perdoem-se… Ninguém tem culpa daquilo que não sabe. Riam de seus erros, pois rir ainda é o melhor remédio. Não leve tanto a sério a questão de dar uma educação primorosa ao seu filho. Aproveite mais os bons momentos em família. Deixe que os seus olhos tão educadores relaxem e passeiem sobre os seus filhos em pleno gozo de felicidade.

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10 respostas a A culpa é da mãe – reflexões e confissões acerca da maternidade

  1. ivo disse:

    Mae e so uma. GRAÇAS A DEUS.

  2. sheila disse:

    acho q basta pensar q somos humanos, portanto imperfeitos, então nunca faremos algo perfeito, na criação dos filhos eu acho q tentamos suprir o q nos faltou e consequentemente esquecemos de outra coisa, e por aí vai.

  3. Renata disse:

    Acabei de ver no Programa Mais Você a participação da autora no programa. Vou correndo comprar o livro dela. Estou grávida do meu primogênito e já estou cheia de dúvidas e preocupações se vou conseguir educar meu filho. Parabéns pela entrevista!

  4. Gisele Ferreira disse:

    Sou Mãe (tentate) e a primeira culpa que sentia era de não ter tido meus filhos antes , mas a autora foi muita clara , adorei!!! Vou curtir mais tranquila quando eles chegarem!!! Parabéns pela entrevista!!!

  5. SONIA MARIA DA SILVA OLIVEIRA disse:

    concordo c a escritora qdo diz q somos uma mãe p cada filho; sou mãe de gêmeas de 4as, q são completamente diferentes, fisicamente e na personalidade,e muitas vezes me criticam dizendo q brigo mais com
    uma, falam q tenho preferência, me sinto mal com isso…realmente não é facil. Amo muito as duas, mas a menor exige muita rigidez.

  6. Juciene disse:

    Nossa que livro caro, custa 69,00 reais na saraiva, Bem que eu queria, mais tá muito caro deveria ser mais barato um livro que ajudaria muito mães assim como eu super protetora.

  7. fernanda disse:

    meu deus, como educar filhos é dificil…tenho tres meninas, a Ana Luisa de 6 anos, a Isabella de 3 anos, e a Maria Fernanda de 1 ano!quase fico loca com elas mas é maravilhoso, dificil mas bom!
    Mães calma, tudo é fase e aproveite cada uma por que todas passam e não voltao mais!

  8. Wilmara. disse:

    Olá.tenho 25 anos e um filho de 2 anos(Breno). Fiquei curiosa e vou compra o livro.

  9. Pingback: Casais sem filhos por opção | Comportamento

  10. Vânia Maria Carvalhaes Gomes Doherty disse:

    Sou mãe de 2 rapazes. Um casado 28 anos, outro solteiro 22 anos. Hoje acho que fiz tudo errado sempre. Mas juro que achava que estava fazendo certo. O resultado não foi ruim, acho até que foi muito bom. Mas me arrependo de muitas coisas. É muita responsabilidade, e esse poder e dever de educar é assustador, quem sou eu, ou quem qualquer que seja a pessoa pode achar que está preparado para essa grandiosidade? Mas…….. a vida vai “ensinando”, e quando a gente vê, já foi, aí é só avaliar os saldos, colher os frutos e continuar plantando sementes de carinho, compreensão, aceitação e amor.

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