Adoção – veja como se preparar ao longo desta espera

adoçãoNão são apenas as mães biológicas que requerem preparo físico e emocional para a chegada de um filho. Mães adotivas também precisam (e como!) preparar-se psicologicamente no exato momento em que decidem adotar uma criança. Afinal, a espera pela adoção pode ser angustiante, mas a chegada do filho resultar em pura felicidade!

A psicóloga Cynthia Boscovich, que trabalha com mães e bebês (biológicos ou adotivos) diz que observa com frequência casais com experiências de gestações frustradas, muitas delas decorrentes de longos tratamentos de infertilidade que não deram certo, e a adoção acaba por se tornar a última alternativa.

Ela ressalta, no entanto, que a decisão de adotar uma criança pode ter diversas causas. As famílias, principalmente as mães, precisam ter muita clareza, sobre o os motivos pelos quais chegaram a tomar a decisão, sobre o que ela significa.

“Quando alguém decide ter um filho biológico, sabe que a espera pode ser longa para conseguir engravidar, mas quando consegue, terá o tempo da gestação, a fim de se programar para a chegada do bebê. E sabe também que, quando o bebê nascer, será um recém-nascido. Tudo isso é incerto na adoção: a espera pode ser longa e a chegada da criança talvez aconteça de um momento para outro. Trata-se de uma gestação que começa sem data prevista para o parto e, em muitos casos, os pais adotivos não sabem se receberão um bebê ou uma criança maior, e tal expectativa em geral pode ser muito angustiante e causar estresse”.

Por isso, diz a psicóloga, os casais devem tentar manter a serenidade para a chegada do filho adotivo, sem se esquecer de que também precisam adequar o ambiente para a criança, receber orientações sobre como lidar com ela, levando em conta sua idade, e se preparar internamente para sua chegada.

“Ser mãe ou pai requer tempo, empenho, dedicação e, acima de tudo, amor. E, com os filhos adotivos, como a espera não tem prazo para terminar, muitas vezes são pegos de surpresa e nem sempre estão devidamente preparados”.

Cynthia Boscovich também destaca a importância da participação dos pais que desejam adotar uma criança em um processo psicoterapêutico individual ou em grupos de apoio, que favoreçam a troca de experiências e opiniões entre pessoas que se encontram na mesma situação. Para a psicóloga, a adoção inclui aspectos jurídicos, sociais e afetivos que a diferenciam da filiação biológica e, apesar de ser muito desejada por grande número de pais, destaca-se ainda por enormes dificuldades e numerosos preconceitos que podem vir a ser elementos complicadores para os aspectos emocionais para a família.

“Cada um inevitavelmente entrará em contato com seus aspectos pessoais, limitações e condições a respeito de si mesmo e dos outros. Isso acontece até mesmo com a chegada de um filho biológico, pois a maternidade e a paternidade mobilizam questões profundas que podem ser positivas ou negativas. Na adoção, essas questões, que nem sempre são conscientes, tornam-se mais complexas. Talvez nesse momento, um acompanhamento psicológico individual se faça necessário”.

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3 respostas a Adoção – veja como se preparar ao longo desta espera

  1. Felipe Queiroz disse:

    A adoção é prática belíssima, mas os adotantes tem que ter certeza mesmo se querem um filho assim e terem muito amor e paciência, pois essas crianças têm histórico de rejeição e tendem a ser rebeldes em muitos casos.
    Na verdade num mundo tão instável como o de hoje e num país com tanta injustiça social como o Brasil a adoção é o melhor meio de ter filhos, pois acredito que os pais tendem a ter menos expectativas com respeito aos filhos (por não terem sido gerados deles) que podem opitar por caminhos que não os agradem no futuro e pelo que se pode chamar cruelmente de “reciclagem social” (educar uma criança que veio ao mundo e foi desamparada pelos progenitores e pode se tornar um(a) deliquente), sem falar que os recursos naturais se esgotam e desgastam dia após dia e a próxima geração deve ter bem mais pessoas (cerca de 9 bilhões) e pessoas mais inteligentes (avanço da ciência). Sem políticas justas e controle social de natalidade (como a China faz, apesar de ser de um modo totalitário) ter filhos biológicos se tornar apenas vaidade.

  2. Elvira disse:

    Resolvi adotar em 2006 e fui ao Forum me cadastrei e passei por entrevistas com assist.social, psicológa e frequentei grupos de apoio, quando foi em 08/2008 o Forum me ligou e disse que tinha uma menininha com 2 anos e meio, se eu queria conhece-la. Foi inesperado realmente, mas fui conhece-la no abrigo, adotei-a. No começo foi “barra”, mas agora já está mais tranquilo. Houve “ciumes” de minha mãe, já que ela é viúva e mora comigo, apesar de ela ter conhecimento e tudo mais de minha pretensão. Estou muito feliz com minha filhota…

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