Crianças com alergia ao leite – cuidado com o falso diagnóstico

alergia - leiteTaí um assunto que parece ter virado “moda”: crianças com alergia ao leite. Isto porque, diante de problemas como coceiras, dificuldades respiratórias e até mesmo refluxo, muitas mães chegam à conclusão de que o leite é o grande vilão da história. Resultado: a dieta sofre uma mudança brusca e difícil com repercussões negativas nutricionais, sociais e psicológicas para a criança. O grande problema, porém, é que em muitos casos a alergia ao leite não existe!

Na entrevista a seguir, a Dra. Renata Rodrigues Cocco, que é especialista em alergia alimentar pelo Mount Sinai Medical Center, em NY, integrante da equipe de alergia da Universidade Federal de São Paulo e médica do Hospital Albert Einstein, explica sobre os sintomas e tratamentos para casos de crianças que são, de fato, alérgicas ao leite. E alerta: o verdadeiro diagnóstico deve ser realizado por médico experiente, com base na história relatada pelos pais, auxílio de alguns exames laboratoriais e um teste de provocação oral. Acompanhe!

- Hoje em dia virou moda falar que “meu filho é alérgico a leite”. O que, de fato, caracteriza a alergia ao leite? Como deve ser feito este diagnóstico?

Dra. Renata – As alergias de uma forma geral vêm aumentando sua prevalência na população mundial, como um reflexo da modificação de vários hábitos de vida. As alergias alimentares fazem “coro” ao aumento das demais alergias, e, entre elas, a alergia ao leite tem papel de destaque, já que este é o primeiro alimento a ser introduzido na alimentação infantil. No entanto, o que se observa é que, apesar do aumento das alergias, existe uma super estimativa da existência da alergia ao leite. Muitos sintomas parecidos com os da alergia também estão presentes em outras doenças, mas não necessariamente se caracterizam como alergia. O resultado disto é que o leite acaba sendo retirado da dieta desnecessariamente, com repercussões nutricionais, sociais e psicológicas para a criança. O diagnóstico deve ser realizado por médico experiente, com base na história relatada pelos pais, auxílio de alguns exames laboratoriais e um teste de provocação oral (realizado em ambiente apropriado e sempre sob supervisão médica!). Um diagnóstico frequentemente confundido com a alergia ao leite é a intolerância à lactose. Enquanto o primeiro acontece por problemas do sistema imunológico contra as proteínas do alimento, as intolerâncias decorrem da falta de uma enzima específica que digere o açúcar do leite: a lactose (por isso que é errado o termo “alergia à lactose”).

- Quais são os sintomas e

tratamento de uma criança com alergia a leite de vaca?

Dra. Renata – Os sintomas são bastante variáveis e incluem desde a presença de manchas avermelhadas e coceira, com ou sem inchaço de olhos e boca, repercussões sistêmicas denominadas anafilaxias (graves, podendo culminar em falta de ar e até morte em casos mais graves) ou podem estar limitadas a sintomas do trato gastrintestinal, como vômitos, diarreia, presença de sangue e muco nas fezes e, por vezes, dimimuição do ganho de peso e estatura.

- Como deve ser a dieta desta criança?

Dra. Renata – Após o correto diagnóstico, o paciente deve retirar da dieta todas as proteínas do leite, incluindo o leite in natura e seus derivados (queijos, bolos, receitas que contenham leite, etc). Vale lembrar que as proteínas do leite estão presentes em outras fontes além da alimentação, como cosméticos, sabonetes, hidratantes, e outros. Os rótulos de produtos industrializados devem ser sempre minuciosamente investigados e alguns sinônimos do leite (como caseína, proteínas do soro, hidrolisados, etc), muitas vezes desconhecidas pelo leigo, devem ser cuidadosamente notificados à família.

- O que acontece se ela entrar em contato com o mínimo possível da proteína do leite em qualquer tipo de alimento?

Dra. Renata – A quantidade de leite possível de deflagrar uma reação é individualmente variável. Existem pacientes que toleram as formas cozidas do alimento (bolos, cookies, pizza,…) e outras que desencadeiam fortes reações com traços destas proteínas ou até mesmo pela inalação!

- A alergia ao leite nasce com a criança ou pode ser desenvolvida em qualquer outra etapa?

Dra. Renata – A alergia ao leite é típica da infância, apesar de existirem casos mais raros deste tipo de alergia iniciada na idade adulta. Frutos do mar, por exemplo, são alimentos mais comuns em adultos. A diferença é que a alergia ao leite é quase sempre resolvida nos primeiros anos de vida, enquanto que as alergias iniciadas na idade adulta são quase sempre persistentes até o final da vida.

- Para a criança que não é alérgica, tomar leite de vaca é fundamental durante a infância?

Dra. Renata – Até os 2 anos de idade, a criança é denominada “lactente”, pela necessidade dos nutrientes encontrados no leite, especialmente o cálcio. No caso de não poder consumir este alimento, ele deverá ser corretamente substituído por outros de semelhante valor nutricional, para que não haja comprometimento no desenvolvimento deste paciente. As fórmulas para substituição dependem de cada tipo de alergia e deverão ser criteriosamente orientadas pelo médico que acompanha a criança.

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4 respostas a Crianças com alergia ao leite – cuidado com o falso diagnóstico

  1. MARCOS RODRIGUES disse:

    Muito bom o esclarecimento da doutora! Gostaria de contribuir com a seguinte matéria:
    FATOS SOBRE A INTOLERÂNCIA A LACTOSE:
    JÁ FAZ quase uma hora que você terminou de saborear o seu sorvete ou queijo prediletos. Sente um peso no estômago e mal-estar; além disso, você tem gases. Mais uma vez procura alívio tomando um remédio que começou a levar consigo. Agora você chegou num ponto em que se pergunta: “Por que o meu estômago é tão sensível?”

    Se tiver náusea, cólica, inchaço, gases ou diarréia depois de ingerir leite ou derivados de leite, talvez você tenha intolerância à lactose, que é uma reação ao consumo de laticínios. O Instituto Nacional de Diabetes e de Doenças Digestivas e dos Rins relata que “entre 30 milhões e 50 milhões de norte-americanos têm intolerância à lactose”. Segundo o livro The Sensitive Gut (O Sensível Aparelho Digestivo), publicado pela Escola de Medicina de Harvard, estima-se que “até 70% da população mundial tem algum tipo de problema com a lactose”. Então o que é a intolerância à lactose?

    A lactose é o açúcar natural do leite. O intestino delgado produz uma enzima chamada lactase, cujo trabalho é separar a lactose em dois tipos de açúcar menos complexos chamados glicose e galactose. Esse processo permite que a glicose seja absorvida pela corrente sanguínea. Se não houver lactase suficiente para realizar essa tarefa, a lactose inalterada chega ao intestino grosso e começa a fermentar, produzindo ácidos e gases.

    Esse quadro clínico — chamado intolerância à lactose — é o responsável por alguns ou todos os sintomas apresentados acima. A lactase é produzida em grande quantidade durante os primeiros dois anos de vida, havendo depois um declínio constante em sua produção. Portanto, muitos podem com o tempo desenvolver esse quadro clínico, mas sem chegar a percebê-lo.

    É algum tipo de alergia?Alguns concluem que são alérgicos ao leite devido às reações que têm após ingerirem algum laticínio. Então qual é o diagnóstico? Alergia* ou intolerância? Segundo alguns alergistas, as verdadeiras alergias a alimentos são raras, afetando apenas entre 1% e 2% da população em geral. Essa estimativa aumenta um pouco quando se trata de crianças, mas não chega a 8%. Embora os sintomas da alergia e da intolerância à lactose sejam similares, há diferenças entre eles.

    Os sintomas de alergia alimentar aparecem quando seu sistema imunológico se defende — produzindo histamina — contra algo que você comeu ou bebeu. Alguns sintomas são inchaço dos lábios ou da língua, urticárias ou asma. A intolerância à lactose não provoca esses sintomas porque o sistema imunológico não é ativado. Ela nada mais é do que a incapacidade do organismo de assimilar certo alimento, tendo uma reação como conseqüência.

    O que pode ajudá-lo a entender a diferença? O livro The Sensitive Gut responde: “As verdadeiras reações alérgicas . . . acontecem minutos depois da ingestão de um alimento agressor. Os sintomas que ocorrem mais de uma hora depois muito provavelmente indicam que se trata de intolerância.”

    O efeito em bebêsPode ser angustiante tanto para o bebê ou criança pequena como para os pais, quando o organismo dos filhos reage mal à ingestão de leite. Se uma criança tiver diarréia, poderá ficar desidratada. Convém que os pais consultem um pediatra. Quando a intolerância é diagnosticada, alguns médicos recomendam substituir o leite por suplementos, trazendo para muitas pessoas alívio dos sintomas angustiantes.

    É mais preocupante quando o diagnóstico é de alergia, o que leva alguns médicos a prescrever um anti-histamínico. No entanto, se a respiração ficar comprometida, o médico terá de fazer mais para aliviar os sintomas. Em casos raros, pode ocorrer um quadro clínico potencialmente fatal chamado anafilaxia.

    Se um bebê começa a vomitar, o problema pode ser a galactosemia, uma doença rara. Conforme mencionado antes, a lactase separa a galactose da lactose, mas a galactose precisa ser convertida em glicose. Se houver um acúmulo de galactose no organismo, as conseqüências poderão ser lesão hepática, deformidade renal, retardamento mental, hipoglicemia e até mesmo catarata. Conseqüentemente, é fundamental a eliminação rápida e completa da lactose na alimentação do bebê.

    ESTES PRODUTOS TAMBÉM PODEM CONTER LACTOSE:
    Pão ou alimentos à base de pão
    Bolos e biscoitos
    Balas
    Pó para fazer purê de batatas instantâneo
    Margarina
    Diversos medicamentos, prescritos ou não
    Pó para o preparo de panquecas, biscoitos e doces
    Cereais matinais processados
    Molhos para salada
    Frios
    Sopas
    A intolerância à lactose é séria mesmo?Certa jovem tinha sintomas crônicos de gases e cólicas estomacais. Seu quadro clínico se agravou tanto que ela procurou ajuda médica. Depois de alguns exames, o diagnóstico foi de uma doença inflamatória do intestino.# Foi prescrita uma medicação para controlar a doença, mas ela não cortou os laticínios de sua alimentação e os sintomas persistiram. Depois de algumas pesquisas, ela percebeu que sua alimentação poderia ser responsável pelo problema e começou a evitar, de maneira sistemática, certos alimentos. Por fim, eliminou os laticínios e os sintomas desapareceram! Depois de um ano, fizeram-se mais exames e seu médico lhe disse que ela não tinha doença inflamatória do intestino. Ela sofria de intolerância à lactose. Imagine o alívio que ela sentiu!

    Até o momento, não há tratamento que faça o organismo produzir lactase. No entanto, a intolerância à lactose não é considerada fatal. Então, o que pode ser feito para lidar com os sintomas da intolerância à lactose?

    Por meio de tentativa e erro, alguns conseguiram detectar a quantidade de laticínios que podem ingerir. Observando a quantidade de laticínios consumidos e as reações do organismo, você descobrirá a quantidade que pode consumir.

    Algumas pessoas decidiram retirar por completo os laticínios de sua alimentação. Ao fazer pesquisas ou consultar um dietista, encontraram maneiras de suprir as necessidades de cálcio com algumas hortaliças e alguns tipos de peixes e de nozes, que contêm alto teor de cálcio.

    Para aqueles que querem continuar a saborear os laticínios, existem no mercado produtos com lactase, quer na forma de cápsulas quer de líquidos, que auxiliam o intestino a converter a lactose e aliviam os sintomas da intolerância à lactose.

    No mundo de hoje, cuidar da saúde pode ser desafiador. Mas graças à pesquisa médica e ao poder de recuperação do organismo, podemos lidar com esse problema até o dia em que “nenhum residente dirá: ‘Estou doente.’ ” — Isaías 33:24; Salmo 139:14.
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    * Também chamada de hipersensibilidade.
    # Algumas doenças inflamatórias do intestino são: doença de Crohn e colite ulcerativa. Esses dois tipos de doenças talvez requeiram a extirpação de parte do intestino. Complicações de doenças inflamatórias do intestino podem ser fatais.

  2. Daniele disse:

    Gostei muito da matéria sobre alergia ,minha filha tem todos esses sintomas quando bebe leite ou derivados ela tem diarreia,as vezes vomito ,manchas vermelhas ao redor da boca ,olhos e nas bochechas isso começou acontecer desde que ela começou a tomar leite de vaca aos 3 meses relatei tudo isso ao pediatra mas ele disse que poderia ser refluxo pediu alguns exames e não deu nada .Resumindo hoje ela esta com 2 anos e 5 meses e esta abaixo do peso e altura troquei de pediatra ,minha filha faz exames de três em três meses mas a ainda não tive um diagnóstico. Essa matéria foi muito esclarecedora.

  3. ola meu nome é sandra meu filho tem 03 meses e meio e apenas toma leite materno comecei a introduzir mamadeiras de leite ninho nele pois preciso voltar a trabalhar e é ele terminar de mamar na mamadeira que as manchinhas vermelhas aparecem na boca estou desesperada.

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