Existem diferenças na educação entre meninos e meninas?

<img class="alignleft size-medium wp-image-1720" title="Existem diferenças na educação entre meninos e meninas?" src="http://maesefilhos.com/wp-content/uploads/2012/04/educando-meninas-300×224.jpg" alt="educação – meninos – meninas" width="300" heigh

t=”224″ />Há quem diga que sim! A educação dada pelos pais aos meninos e meninas depende de algumas peculiaridades distintas entre os gêneros, como sugere o autor do livro ‘Educando Meninas’, James Dobson. A publicação apresenta orientações sobre personalidade da criança, sexo, influência da mídia e da sociedade, entre outros temas, com o objetivo de proporcionar a os familiares conduzir as suas filhas da maneira que lhes parece ideal.

Para detalhar a questão, conversamos com a Dra. Sophia Motta Gallo, psicóloga clínica e doutora em Ciências da Saúde pela Universidade de São Paulo. Confira!

- Existem, de fato, diferenças na educação entre meninos e meninas? Qual a principal característica que diferencia o tipo de educação a ser dada para ambos os sexos?

Dra. Sophia – Existem diferenças, pois não há igualdade entre os sexos. O fato de se ter diferentes termos para designar os gêneros marca a diferença entre eles. Deve-se entender o conceito de educação como o de conduzir alguém para algum lugar. É preciso saber se queremos que, ao longo do processo, haja ou não diferenças de comportamento, de atitudes e de valores entre meninos e meninas. É a primeira implicação da resposta. Se as queremos, então, a resposta será sim. Existiram diferenças na educação. Convém lembrar que as bases morais e éticas que fundamentam os valores e as metas individuais se firmam em um processo que se inicia ao nascimento e se consolida com grande intensidade durante a primeira e segunda infância. Daí a responsabilidade dos pais, desde cedo, na educação de meninos e meninas.

Com relação às características que diferenciam o tipo de educação entre meninos e meninas, é difícil hierarquizar aspectos qualitativos. Ou seja, definir uma ordem de importância de subjetividades. Contudo, é possível apresentar a dinâmica familiar como uma característica importante e singular. Convém dizer que o universal é de todos. O que é particular é de poucos e o que é singular é específico de cada ambiente familiar. A criança deve ser apresentada ao singular. É possível também dizer “que não ajudará conduzir seus filhos a um mundo imaginário no qual não existam diferenças sejam sociais e/ou sexuais”, isto porque ele as tem.

- Pode-se dizer que educar meninas é mais difícil? Por que?

Dra. Sophia – A pergunta induz a um lugar comum na sociedade contemporânea. Na realidade, espera-se como resposta uma afirmação de educar meninas frente às dificuldades no mercado de trabalho ou da inserção nos espaços sociais que valorizem o desempenho produtivo. No entanto, não existe só uma cultura ou uma perspectiva de inserção social. De acordo com o autor de Educando Meninas, James Dobson, as estatísticas mostram que “Os meninos enfrentam problemas sérios em diversas áreas. Desde a pré-escola até a idade adulta, saem-se mal em quase todos os critérios de saúde emocional, educacional e física. Os meninos são duas vezes mais propensos que as meninas a desenvolver problemas de aprendizado, três vezes mais inclinados a se viciar em drogas e quatro vezes mais passíveis de se envolver em brigas. São mais suscetíveis de sofrer distúrbios emocionais. E dez vezes mais propensos a cometer homicídio”. Diante do exposto, nos questionamos: será mesmo que é mais difícil educar meninas?

- Quais são os erros na educação dos meninos e meninas aos quais os pais são normalmente mais suscetíveis?

Dra. Sophia – Em acordo com o autor de Educando Meninas, James Dobson, podemos enumerar quatro erros comuns:

1- considerar nossos filhos – meninos e/ou meninas – emocionalmente adultos;

2- não valorizar a importância do exercício de definição de limites – sim e não – na educação de meninos e meninas;

3- não perceber que sua criança cresceu e o tem como referencial (esteja atento as responsabilidades que vão além do “colocar dinheiro em casa”, “dar presentes ao seus filho” e “pagar as contas”);

4- brigas e dificuldade interparentais existem em todas as casas e lares. As diferenças estão nas maneiras como serão resolvidas entre os adultos.

Muitas vezes, o adulto cuidador precisa ajudar a criança a identificar sentimentos, ansiedades e medos que nem sempre a criança consegue nomear. Esses, na maioria das vezes, podem se manifestar em forma de ciúme, mágoa, indiferença, irritabilidade, dificuldades de aprendizado e bulliyng.

- O que, de forma geral, deve fazer parte tanto da a educação de meninos quanto de meninas?

Dra. Sophia – Meninos e meninas têm a mesma curiosidade e experimentam as mesmas buscas. A criança tem uma curiosidade natural em relação à manipulação do seu corpo. A criança tem uma relação de afeto consigo mesma, com a família e com o mundo. É de seu amadurecimento afetivo que se desenvolve a autoestima. A criança tem que ter responsabilidade com o seu próprio corpo, o que implica desde cedo que precisa tomar banho, escovar os dentes, dentre outros cuidados de higiene e saúde. Esse compromisso com o próprio corpo é treinado desde cedo e aprendido no ambiente familiar, com as figuras parentais. E é extensivo ao compromisso sexual na vida adulta.

Para o autor de Educando Meninas, James Dobson, o contato afetivo com o mundo será decisivo na vida e no destino emocional de meninos e meninas. Portanto, a criança em condições de vulnerabilidade social – alimentos, segurança, moradia, educação, cultura e lazer – possivelmente terá dificuldades socioeducativas e emocionais para superar os desafios que a vida lhes reserva. E um deles é o viés de gênero.

A criança em desenvolvimento deve receber informações sobre o mundo, sobre a vida, conhecer novos espaços e brincar com outras crianças para socializar-se. O que meninos e meninas de todas as idades não podem é ficar isolados e sozinhos. Uma criança saudável e um adulto com inteligência emocional se constroem com respeito, responsabilidade e compromisso.

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2 respostas a Existem diferenças na educação entre meninos e meninas?

  1. Pingback: Porta-voz de "Educando Meninas" fala ao portal Mães&Filhos | Lilian Comunica - Assessoria de Imprensa e editorial

  2. FABIANA GLAUCE DA SILVA disse:

    GOSTEI MUITO SOBRE ESSE ASUNTO …MENINOS E MENINAS…

    TENHO UM FILHA COM PREGUIÇA DE ESTUDAR .MUSICA CANTA TUDO…..

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