Regras, combinados, conversas, muitas vezes castigos… Incansáveis, pais e mães modernos não desistem de criar as mais diversas estratégias para fazerem os filhos, sejam eles pequenos ou já adolescentes, obedecerem e não passarem dos limites. Mas, você já ouviu falar no ‘contrato didático’?
Bom, esta é a estratégia da escola Ilha-Florescer, que fica no Espírito Santo, mas que também pode ser seguida em casa, pelos pais, pois trata do envolvimento da criança na escolha (isto mesmo, escolha!) e compreensão das regras a serem seguidas.
De acordo com a diretora Cecília Oliveira, o contrato didático faz os alunos entenderem o motivo das regras e participarem da elaboração delas para uma melhor convivência no ambiente escolar. “Trata-se de uma forma de eles entenderem a razão das regras, de aprenderem o significado e de participarem da construção delas, tendo a possibilidade de decidir. É um exercício de cidadania, de reflexão e de construção coletiva que ajuda na compreensão do mundo e do motivo pelo qual se estabelecem normas na sociedade e numa instituição”, ela diz.
Como funciona? Todo início de ano, no primeiro dia de aula, as normas da escola são apresentadas aos alunos pelos professores de cada turma. Na ocasião, o educador explica as regras da instituição que devem ser respeitadas nas salas de aula, e também estimula as crianças a pensarem em como resolver possíveis situações e conflitos que possam ocorrer.
“Tudo é discutido conjuntamente. O professor pergunta ‘e se um colega magoar o outro, o que deve ser feito?’; e com base na sugestões dos próprios alunos são estabelecidas as regras, bem como as atitudes que serão tomada
s e as consequências para cada um”, afirma a diretora. Assim, ao final da discussão, as crianças e os professores elaboram o documento escrito, todos assinam, e o contrato fica afixado no mural da sala pelo resto do ano.
Quer mais exemplos? “Basicamente são elaboradas regras de convivência e de bem estar comum, como arrumar os objetos da sala após as atividades, tratar os colegas com respeito, respeitar as opiniões dos colegas, ajudar a manter o ambiente sem barulho, entre outros. As sanções também fazem parte do combinado e devem ter relação com a ação. Ex: Quando o aluno não arruma os objetos, fica arrumando na hora de ir para o pátio”.
E em casa, os pais podem fazer? Segundo Cecília, o que importa, de fato, é que os filhos entendam o que está sendo proposto e ajudem a discutir as punições em caso de transgressão das regras. “Esse processo não é estanque, ele precisa ser retroalimentado regularmente. Lembrar, retomar, rediscutir e avaliar. Assim o contrato torna-se vivo e dinâmico”.
Além disso, ela ressalta, as regras podem mudar ao longo do tempo, pois faz parte do processo rever o que está bem e o que não está. E mais: o combinado das regras vale para todas as faixas etárias. “Desde a entrada na escola. Claro que o modo de trabalho e a complexidade vão mudando com o aumento da faixa etária. Assim, os alunos de dois anos combinam que têm hora de sair da sala, e os de 10 que devem respeitar a opinião do colega, por exemplo. A quantidade de regras também vai aumentando e o tipo de sanção mudando, adequando-se às diferentes faixas etárias”.
Que tal tentar?
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