Um papo sobre filho único

Filho único

Há por aí muitas opiniões estereotipadas sobre o

s filhos únicos. Como um rótulo certo, temos a mania de teorizar que são crianças mimadas e desacostumadas a dividir. Sim, muitos recebem atenção exclusiva e até exagerada em alguns casos, mas afinal podemos dizer que são crianças com perfis tão estabelecidos? De qualquer maneira, como os pais devem impor limites ao filho único explicando que o mundo não gira em torno dele?

Conversamos com a psicóloga infantil comportamental e arte educadora, Jéssica A. Fogaça, sobre o assunto. Confira:

Filho único? A criança sofre por crescer sem irmãos?

Essa é uma questão muito delicada. A grande maioria das crianças, filhas únicas que eu conheço, relatam que gostariam de ter um irmão, principalmente para poder brincar. Convenhamos que os adultos não tem a mesma disposição para brincar horas a fio, o que uma criança consegue com muita facilidade. A ideia central aqui é ter um companheiro para todas as horas, pois os adultos nem sempre estão disponíveis.

Mas tem criança que adora ser filha única porque, justamente, recebe muita atenção da família.

Acredito que o maior problema esteja nos casos em que o filho único não tem contato com outras crianças, pois estar em um mundo só com adultos não é divertido e estimulante suficiente para uma criança. Elas aprendem muito umas com as outras.

Essa abordagem do mito do filho único não é um reforço do estereótipo sobre crianças que crescem sem irmãos?

As crianças que são filhas únicas têm algumas características que são, de fato, diferentes de quem tem irmãos. O aprendizado de dividir atenção e objetos é diferente, por exemplo. Uma criança que tem irmãos aprende cedo a dividir melhor que uma criança que não tem com quem dividir. Mas é claro que o fato de ser filho único não deve ser desculpas para certos comportamentos e atitudes.

Elas podem se tornar adultos tão ou mais saudáveis do que aquelas que crescem em grandes famílias? A experiência da solidão pode ser positiva?

Tornarem-se adultos saudáveis vai depender do tipo de criação que receberem. Por isso, é importante que os pais ajudem a criança em suas habilidades sociais. Ser autossuficiente é muito bom, mas nas relações interpessoais precisamos saber dividir, escutar o outro, respeitar a opinião do outro, saber esperar, por exemplo. Essas habilidades que citei acima são mais facilmente desenvolvidas no relacionamento com outros semelhantes, principalmente entre crianças de idades próximas, mas os pais podem ajudar e favorecer o contato de seu filho com amiguinhos.

A experiência de solidão pode ser positiva no sentido de criar uma criança autônoma e que sabe cuidar de si, mas o convívio com outras crianças é mais positivo ainda, porque ela aprende mais com os semelhantes.

Como fazer o filho único aprender a dividir?

Os pais de filhos únicos devem estar atentos a não fazerem as atividades e, principalmente, tarefas, pelos filhos. Devem deixar que eles tentem fazer as coisas e ajudá-los no que for preciso, mas devem criar situações para que ele divida coisas com os pais. Pode ser desde dividir a montagem de uma mesa para o almoço até uma sobremesa que a criança goste muito. Em situações que o filho estiver com outras crianças, estimulá-lo a compartilhar os brinquedos e respeitar o jeito e a opinião das outras crianças.

Quais os erros comuns dos pais de filhos únicos?

Os erros mais comuns são: facilitar a vida da criança porque acham que eles são “sozinhos” e, assim, não exigem muito ou, ao contrário, exigirem mais dos pequenos porque acham que eles têm muita atenção. Nenhuma dessas atitudes é saudável para a criança, pois são atitudes extremadas. A criança precisa do equilíbrio.

Outra coisa que acontece são os pais tratarem as crianças como pequenos “adultos”, porque essas crianças normalmente tem um vocabulário mais elaborado pelo seu convívio com pessoas mais velhas. Seu vocabulário pode ser mais sofisticado, mas ela ainda é uma criança em desenvolvimento.

Como os pais devem fazer para fugir das armadilhas da superproteção?

Devem sempre levar em conta que suas atitudes precisam estar voltadas para o desenvolvimento saudável do filho. Para tanto, é preciso preparar essa criança para o convívio em sociedade. A criança precisa ter limites, respeitar regras, saber ouvir, esperar, respeitar uma opinião contrária a sua, dividir seus objetos, colocar-se no lugar do outro. Não é porque ela não tem um irmão que os pais não podem lhe ensinar essas habilidades. Podem e devem.

A grande questão da superproteção é que os pais não frustram as crianças e nem lhes ensinam os limites. Uma criança que não é frustrada nunca, não sabe agir diante de uma recusa, porque não tem um repertório prévio para isso, ela não tem um modelo para seguir, ela nunca experimentou a situação e não sabe como agir. Quando o pai e a mãe dizem não, eles ensinam à criança que as coisas não são sempre como queremos, pois é assim na vida. Nessas situações mostram que temos que esperar ou mudar nossa atitude e ensinam a criança a lidar com a raiva e com a frustração. Uma criança sem limites, sem contornos, não sabe o que pode e o que não pode fazer dentro de um determinado contexto. Ela sofre por não saber como agir, pois os pais não estarão sempre ao lado dela.

Por Karina Conde

 

12 respostas a Um papo sobre filho único

  1. Marly disse:

    Tenho um único filho. Quando ele tinha dois anos passou a demonstrar irritação quando tinha que dividir algo. Um dia fiz um bolo de chocolate enorme e o levei para tomar café em um orfanato.Expliquei, expliquei, expliquei. Numa outra ocasião o levei a uma festa das crianças com cancêr no hospital que eu trabalhava. Expliquei, expliquei e expliquei.
    Desde então ele mesmo separa o que não vai mais utilizar. Faz sem crise nenhuma. E, detalhe só doa aquilo que poderá realmente ser utilizado.
    Beijos

  2. Mara disse:

    Parabens Marli!!! A voce e sua filha!

  3. Mara disse:

    Pos, Marly.

  4. rosana disse:

    Para mim é muito difícil. Minha filha única tem 4 aninhos e é muito voluntariosa. Isso piora ainda mais porque por parte do pai é a única neta. Eu tento sempre educar o mais que posso e acho que às vezes para ela me torno uma bruxa.

  5. Egregora disse:

    Bobagem!!
    Apesar de algumas peculiaridades, educar uma criança é bem parecido. Nada que nenhum pai ou mãe com bom senso não consiga realizar. Os valores básicos são os mesmos para quem tem um filho ou dez filhos. Bom senso é palavra.

  6. MARIA VILMA DAMACENO SANTANA disse:

    Esta materia veio em bom momento, aliás como tantas outras que acompanho. Estou diretora de cei em que atendo crianças de zero a quatro anos, este ano recebemos uma criança que é filho único, e hoje 03/04/2012 ele na brincadeira com o grupo fez movimentos bruscos com o gira gira machucando uma amiga da mesma idade e do mesmo grupo dele, ao ser chamado atençaõ sobre a desobediencia pois não atendeu ao apelo de sua professora meu amigo vira=va de costa para mim não querendo me ouvir, gritava pela mãe, e quando pediamos para que olhasse a testa da amiguinha machucada, que ela estava passando por uma dor, recusava a enfrentar a situação. Bem não é a primeira vez que reage assim percebi que sempre que cobrado de alguma forma simplismente ele coloca a mãe como se fosse sua corina de proteção. o mais interessante quando sua mãe chegou iniciamos um dialogo solicitando sua ajuda e a do pai, a mãe oiviu atentamente, pediu deculpa e disse que por incrivel que pareça que el não dá moleza, mas a mascara sempre cai, não demorou muito meu amigo deu um choro e gritava eu quero minha mochila, percebeu que devido estar em minha sala a mochila havia ficado na sala, a mãe levantou-se imediatamente para atende seu apleo, esqueceu que estavamos em uma conversa. não deu para fingir que nada tinha acontecido, chamei-a e reiniciei uma fala, por mais que negue a mãe contribuido para o comportamento deste filho, é filho unico, nunca havia se separado dela, esta é sua primeira separação dele, e é percebido que há dificuldades em orienta-lo. estou tentando ajuda-los mas como faze-la entender que o menino de hoje será um homen amanhã e se ontinuar sem saber pedir deslpa será muito dificil.

    Maria Vilma Damaceno Santana

  7. Sarah disse:

    eu tenho 13 anos e até os 11 fui filha única… quando eu era pequena eu me sentia suuuuuuuper sozinha, porém, sempre dividia tudo, meus pais desde de bebê me ensinaram isso pois tinham medo de que eu virasse egoísta. quando pequena eu me senti muito sozinha, sempre dizia aos meus pais que queria ter algum irmão ou irmã, passava bom tempo brincando sozinha e principalmente mexendo no computador rs, conforme fui crescendo, me acostumei a ideia de ser filha única, mas eu sempre tentei achar em amigos, irmãos.

    depois de um tempo meus pais se divorciaram, meu pai arranjou uma namorada, e juntos eles tiveram meu irmão de dois anos, Gustavo Henrique, acho que ele veio em boa hora, tenho maturidade o bastante para não sentir ciúmes, nem aquelas crises bem conhecidas por irmãos. por ter sido por muito tempo filha única, eu dou muito valor ao meu irmãozinho, amo ele demais, e sempre que tenho momentos marcantes com ele, acabo me emocionando ao lembrar da minha infância, onde pedia ao “papai do céu” um irmãozinho. (:

  8. Linkicha disse:

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  9. Mães&Filhos disse:

    Que lindo depoimento, Sarah!
    Desejamos muitas felicidades para você e sua família, especialmente seu irmãozinho!

    Beijos!

  10. Dora Vassilieff disse:

    Fui filha única até os 12 anos, minha idade atual. Minha mãe conseguiu engravidar com o meu padrasto, de gêmeos. Eles tem apenas 3 meses, e vão fazer 4 agora. Sempre quis ter um irmãozinho, e agora estou muito feliz. (:

  11. Adriana Alves disse:

    Gostaria de ter mais um filho, minha filha pede quase todos dias um irmãozinho, mas meu esposo não quer.

  12. Soraia disse:

    Com conhecimento de causa eu afirmo que ter um único filho não é nada bom, quando ele não é cercado por outras crianças. O meu filho tem 9 anos e acho que agora com ele mais velhinho a carência por companhia está mais forte. Antes ele me pedia muito um irmão, agora não pede mais, mas se queixa de solidão. Eu fico muito triste pq no momento não posso ter outro filho, não tenho condições financeiras e sou hipertensa, então tenho muito medo pelos dois motivos. Eu não sei o que fazer, ele não tem primos por perto, e nem amigos. Fica só. Só brinca mesmo qdo vai à escola, mas é pouco o tempo que tem liberdade para brincar lá. O que eu faço? Alguém que passa por situação parecida pode me dar uma luz?

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